sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Doutor é quem faz Doutorado

Doutor é quem faz Doutorado


No momento em que nós do Ministério Público da União nos preparamos para atuar contra diversas instituições de ensino superior por conta do número mínimo de mestres e doutores, eis que surge (das cinzas) a velha arenga de que o formado em Direito é Doutor. 


A história, que, como boa mentira, muda a todo instante seus elementos, volta à moda. Agora não como resultado de ato de Dona Maria, a Pia, mas como consequência do decreto de D. Pedro I. 

Fui advogado durante muitos anos antes de ingressar no Ministério Público. Há quase vinte anos sou Professor de Direito. E desde sempre vejo "docentes" e "profissionais" venderem essa balela para os pobres coitados dos alunos. 

Quando coordenador de Curso tive o desprazer de chamar a atenção de (in) docentes que mentiam aos alunos dessa maneira. Eu lhes disse, inclusive, que, em vez de espalharem mentiras ouvidas de outros, melhor seria ensinarem seus alunos a escreverem, mas que essa minha esperança não se concretizaria porque nem mesmo eles sabiam escrever. 

Pois bem! 

Naquela época, a história que se contava era a seguinte: Dona Maria, a Pia, havia "baixado um alvará" pelo qual os advogados portugueses teriam de ser tratados como doutores nas Cortes Brasileiras. Então, por uma "lógica" das mais obtusas, todos os bacharéis do Brasil, magicamente, passaram a ser Doutores. Não é necessária muita inteligência para perceber os erros desse raciocínio. Mas como muita gente pode pensar como um ex-aluno meu, melhor desenvolver o pensamento (dizia meu jovem aluno: "o senhor é Advogado; pra que fazer Doutorado de novo, professor?"). 

1) Desde já saibamos que Dona Maria, de Pia nada tinha. Era Louca mesmo! E assim era chamada pelo Povo: Dona Maria, a Louca! 

2) Em seguida, tenhamos claro que o tão falado alvará jamais existiu. Em 2000, o Senado Federal presenteou-me com mídias digitais contendo a coleção completa dos atos normativos desde a Colônia (mais de quinhentos anos de história normativa). Não se encontra nada sobre advogados, bacharéis, dona Maria, etc. Para quem quiser, a consulta hoje pode ser feita pela Internet. 

3) Mas digamos que o tal alvará existisse e que dona Maria não fosse tão louca assim e que o povo fosse simplesmente maledicente. Prestem atenção no que era divulgado: os advogados portugueses deveriam ser tratados como doutores perante as Cortes Brasileiras. Advogados e não quaisquer bacharéis. Portugueses e não quaisquer nacionais. Nas Cortes Brasileiras e só! Se você, portanto, fosse um advogado português em Portugal não seria tratado assim. Se fosse um bacharel (advogado não inscrito no setor competente), ou fosse um juiz ou membro do Ministério Público você não poderia ser tratado assim. E não seria mesmo. Pois os membros da Magistratura e do Ministério Público tinham e têm o tratamento de Excelência (o que muita gente não consegue aprender de jeito nenhum). Os delegados e advogados públicos e privados têm o tratamento de Senhoria. E bacharel, por seu turno, é bacharel; e ponto final! 

4) Continuemos. Leiam a Constituição de 1824 e verão que não há "alvará" como ato normativo. E ainda que houvesse, não teria sentido que alguém, com suas capacidades mentais reduzidas (a Pia Senhora), pudesse editar ato jurídico válido. Para piorar: ainda que existisse, com os limites postos ou não, com o advento da República cairiam todos os modos de tratamento em desacordo com o princípio republicano da vedação do privilégio de casta. Na República vale o mérito. E assim ocorreu com muitos tratamentos de natureza nobiliárquica sem qualquer valor a não ser o valor pessoal (como o brasão de nobreza de minha família italiana que guardo por mero capricho porque nada vale além de um cafezinho e isto se somarmos mais dois reais). 

A coisa foi tão longe à época que fiz questão de provocar meus adversários insistentemente até que a Ordem dos Advogados do Brasil se pronunciou diversas vezes sobre o tema e encerrou o assunto. 

Agora retorna a historieta com ares de renovação, mas com as velhas mentiras de sempre. 

Agora o ato é um "decreto". E o "culpado" é Dom Pedro I (IV em Portugal). 

Mas o enredo é idêntico. E as palavras se aplicam a ele com perfeição. 

Vamos enterrar tudo isso com um só golpe?! 

Lei de 11 de agosto de 1827, responsável pela criação dos cursos jurídicos no Brasil, em seu nono artigo diz com todas as letras: "Os que frequentarem os cinco anos de qualquer dos Cursos, com aprovação, conseguirão o grau de Bachareis formados. Haverá tambem o grau de Doutor, que será conferido àqueles que se habilitarem com os requisitos que se especificarem nos Estatutos que devem formar-se, e só os que o obtiverem poderão ser escolhidos para Lentes". 

Traduzindo o óbvio. A) Conclusão do curso de cinco anos: Bacharel. B) Cumprimento dos requisitos especificados nos Estatutos: Doutor. C) Obtenção do título de Doutor: candidatura a Lente (hoje Livre-Docente, pré-requisito para ser Professor Titular). Entendamos de vez: os Estatutos são das respectivas Faculdades de Direito existentes naqueles tempos (São Paulo, Olinda e Recife). A Ordem dos Advogados do Brasil só veio a existir com seus Estatutos (que não são acadêmicos) nos anos trinta. 

Senhores. 

Doutor é apenas quem faz Doutorado. E isso vale também para médicos, dentistas, etc, etc. 

A tradição faz com que nos chamemos de Doutores. Mas isso não torna Doutor nenhum médico, dentista, veterinário e, mui especialmente, advogados. 

Falo com sossego. 

Afinal, após o meu mestrado, fui aprovado mais de quatro vezes em concursos no Brasil e na Europa e defendi minha tese de Doutorado em Direito Internacional e Integração Econômica na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. 

Aliás, disse eu: tese de Doutorado! Esse nome não se aplica aos trabalhos de graduação, de especialização e de mestrado. E nenhuma peça judicial pode ser chamada de tese, com decência e honestidade. 

Escrevi mais de trezentos artigos, pareceres (não simples cotas), ensaios e livros. Uma verificação no sítio eletrônico do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) pode compravar o que digo. Tudo devidamente publicado no Brasil, na Dinamarca, na Alemanha, na Itália, na França, Suécia, México. Não chamo nenhum destes trabalhos de tese, a não ser minha sofrida tese de Doutorado. 

Após anos como Advogado, eleito para o Instituto dos Advogados Brasileiros (poucos são), tendo ocupado comissões como a de Reforma do Poder Judiciário e de Direito Comunitário e após presidir a Associação Americana de Juristas, resolvi ingressar no Ministério Público da União para atuar especialmente junto à proteção dos Direitos Fundamentais dos Trabalhadores públicos e privados e na defesa dos interesses de toda a Sociedade. E assim o fiz: passei em quarto lugar nacional, terceiro lugar para a região Sul/Sudeste e em primeiro lugar no Estado de São Paulo. Após rápida passagem por Campinas, insisti com o Procurador-Geral em Brasília e fiz questão de vir para Mogi das Cruzes. 

Em nossa Procuradoria, Doutor é só quem tem título acadêmico. Lá está estampado na parede para todos verem. 

E não teve ninguém que reclamasse; porque, aliás, como disse linhas acima, foi a própria Ordem dos Advogados do Brasil quem assim determinou, conforme as decisões seguintes do Tribunal de Ética e Disciplina: Processos: E-3.652/2008; E-3.221/2005; E-2.573/02; E-2067/99; E-1.815/98. 

Em resumo, dizem as decisões acima: não pode e não deve exigir o tratamento de Doutor ou apresentar-se como tal aquele que não possua titulação acadêmica para tanto. 

Como eu costumo matar a cobra e matar bem matada, segue endereço oficial na Internet para consulta sobre a Lei Imperial: 

www.planalto.gov.br/ccivil_03/revista/Rev_63/Lei_1827.htm 

Os profissionais, sejam quais forem, têm de ser respeitados pelo que fazem de bom e não arrogar para si tratamento ao qual não façam jus. Isso vale para todos. Mas para os profissionais do Direito é mais séria a recomendação. 

Afinal, cumprir a lei e concretizar o Direito é nossa função. Respeitemos a lei e o Direito, portanto; estudemos e, aí assim, exijamos o tratamento que conquistarmos. Mas só então. 


PROF. DR. MARCO ANTÔNIO RIBEIRO TURA , 41 anos, jurista. Membro vitalício do Ministério Público da União. Doutor em Direito Internacional e Integração Econômica pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Mestre em Direito Público e Ciência Política pela Universidade Federal de Santa Catarina. Professor Visitante da Universidade de São Paulo. Ex-presidente da Associação Americana de Juristas, ex-titular do Instituto dos Advogados Brasileiros e ex-titular da Comissão de Reforma do Poder Judiciário da Ordem dos Advogados do Brasil. 

--
RAFAEL L. A. FERREIRA

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Fwd: SENADO - Enquete sobre Corrupção URGENTE



---------- Mensagem encaminhada ----------
De: <emailer@forumxt600.com.br>
Data: 30 de agosto de 2011 17:54
Assunto: SENADO - Enquete sobre Corrupção URGENTE
Para: emailer@forumxt600.com.br


A mensagem seguinte é um email enviado para você pelo administrador do "www.xt600.com.br".

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Atenção, ao repassar utilize SEMPRE o campo Cco: (ou Bcc:) para incluir os destinatários sem deixar a mostra
seus emails...

REPASSANDO ...





Tem uma enquete no site do senado http://www.senado.gov.br/noticias/DataSenado/

(esta em cima, na direita, bem pequeno) pesquisando a opinião pública sobre um projeto de lei que vai colocar corrupção no rol dos crimes hediondos. Ate agora 98% dos votos foram 'a favor', mas foram apenas 13000 votos. Vamos convocar os amigos a participarem em favor da tipificação da corrupção como crime hediondo??

Peço que repassem esse e-mail aos amigos.

Para votar é fácil e rápido.




obs: a enquete termina dia 31!!!  por conta da relevância e urgência do assunto tomamos a liberdade de usar o email em massa do Clube XT600 para esta divulgação off topic




--
RAFAEL L. A. FERREIRA


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

RELATO DA AVENTURA PELO NORDESTE

Por achar que não seria "viável" relatar a aventura duas vezes, resolvi publica-la apenas do fórum do grupo que eu faço parte: XTZLANDER.COM.BR

Para acessar o relato utilize este atalho:

http://www.xtzlander.com.br/forum/viewtopic.php?f=33&t=10009


Saudações motociclísticas 

--
RAFAEL L. A. FERREIRA


domingo, 31 de julho de 2011

...TO DANDO AZAR COM MACEIÓ, SÓ CHHUUUVVAAAAA!!!!

Acho que vou embora pra João Pessoa!

O Dia hoje está chuvoso e a previsão pra amanhã também é de chuva!

Vou descansar mais um pouco e pensar no que vou fazer!

--
RAFAEL L. A. FERREIRA


sábado, 30 de julho de 2011

Tô vivo!!!!

Foram 900km no primeiro dia de Belém para Teresina-PI (28/07), 600km no segundo dia de Teresina para Juazeiro do Norte-CE e mais 680km neste terceiro dia. Os dois primeiros dias foram tranquilos, sempre com sol ou poucas nuvens, mas neste terceiro, o negócio foi 'punk'....

A partir de Arcoverde-PE, foi só chuva e mais chuvas, até Maceió-AL, no meio do caminho desisti de Penedo-AL, e segui para Maceió mesmo, até porque estou achando que não vai dá pra fazer como o planejado (tempo-dinheiro-resistência física).

Deixo algumas impressões,

Teresina:
Não conheci nada... fui direto ao hotel, paguei R$40,00 pelo quarto com hotel, nem saí do quarto de tão cansado, consumi o que tinha no quarto e o que eu tinha levado. Saí às 8h para Juazeiro do Norte.

Juazeiro do Norte:
Me surpreendi com a estrutura da cidade, muito bem estruturada, com tudo que uma cidade média pode oferecer, parece ser melhor que Castanhal. Eu tinha planejado ficar 2 dias, mas não precisei, no mesmo dia que cheguei, procurei um hotel que tinha cadastrado no GPS, mas não foi o que eu fiquei, fiquei em um muito bom, o Hotel Maceió, apenas dormi e tomei café (muito bom também) e paguei apenas R$30,00. hehehe... Depois do café rumei para Alagoas, de início o planejado era para Penedo, mas desisti faltando 200Km, desisti porque estava muito cansado e só pensava em ficar na beira da praia de molho..hehehehe

Durante esses dias de viagem, eu mantive médias altas de velocidade: 100km/h, 110km/h,115km/h.. dependia da vontade de chegar ou de economizar combustível!!!

Durante o caminho para Maceió, vi muitas paisagens lindas, inacreditáveis.... infelizmente não pode tirar fotos, porque vim debaixo de chuva!!!

...
depois escrevo mais

--
RAFAEL L. A. FERREIRA